Se esta condenação se mantiver, tem também de pagar um total de 95 mil euros à mulher e aos três filhos da vítima.
A viúva e uma das duas filhas de Maurício Levy abraçaram-se ontem à saída da sala onde foi lido o acórdão do homem que lhes matou o marido e pai, aos 67 anos – emboscado e morto à facada na garagem do seu prédio e transportado pelo homicida, já sem vida, no próprio carro até uma ravina para onde foi atirado.
Tudo porque Jorge Enes desconfiava de que a mulher, Margarida Botelho, tinha um caso com Maurício Levy. Sentindo--se traído, matou-o – e acabou por ser preso pela Unidade de Contra-Terrorismo da Judiciária.
A juíza justificou a pena afirmando que "houve desproporção inadmissível entre a motivação e o resultado final" e que "o acto tornou diminuída a possibilidade de defesa". "Houve ponderação sobre o modo de actuar e demonstrou persistência na intenção de matar." A magistrada disse ainda ao arguido: "Quando sair da prisão vai fazer a sua vida, mas o falecido já nunca o poderá fazer."
Esgotados os prazos de prisão preventiva e domiciliária, Jorge Enes está em liberdade desde Março de 2008. No primeiro julgamento foi condenado, em 2009, a 13 anos de prisão – alegou legítima defesa. O Ministério Público recorreu e a Relação deu razão à acusação, ordenando a repetição do julgamento.