Dois pareceres negativos podem inviabilizar o projeto para a instalação de uma unidade de aquacultura de mexilhões com 282 hectares ao largo de Sagres, no Algarve.
Tal como o
CM já noticiou, a empresa Finisterra fez um pedido à Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos Recursos Marinhos (DGRM) para instalar uma nova estrutura para crescimento e engorda de mexilhão em regime extensivo em mar aberto, projeto que está a ser contestado por autarcas e pescadores. O pedido obteve pareceres negativos da Câmara de Vila do Bispo e do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, que tutela o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, onde se insere a área de instalação da estrutura.
Segundo um documento emitido pelo Ministério do Mar, que o
CM teve acesso, para o projeto avançar é preciso avaliar "os impactos sociais, económicos e ambientais deste estabelecimento de aquicultura". No mesmo documento, é garantido que "a DGRM só emitirá o título de atividade aquícola caso todos os pareceres vinculativos e obrigatório sejam favoráveis".
A subdiretora-geral da DGRM, Isabel Ventura, revelou que os pareceres negativos já foram transmitidos ao promotor do projeto, que tem 10 dias úteis "para se pronunciar ou reformular o pedido inicial". As entidades envolvidas dispõem depois de cinco dias úteis para se pronunciarem. Findo este prazo, a DGRM tem "10 dias para emitir o título", ou não.
A empresa Finisterra pretende aumentar a área de produção dos atuais 161 hectares e triplicar a atual capacidade produtiva, de 4 000 para 12 000 toneladas por ano.