A associação ambientalista Jornada Principal reclama a "demissão imediata" do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, acusando-o de "criar uma encenação técnica" para permitir a manutenção da atividade da Recivalongo no aterro em Sobrado, em Valongo.
"Visto que o ministro do Ambiente não tomou nenhuma medida que salvaguardasse os interesses da população de Sobrado e apenas se limitou a criar uma 'encenação técnica' patrocinada pela Recivalongo, e visto que o que se passa em Sobrado é um atentado ambiental, um atentado à saúde pública e um atentado aos direitos humanos, resta-nos solicitar a sua demissão imediata", sustenta.
Acusando Matos Fernandes de "desconsideração para com o povo de Sobrado" e todas as entidades envolvidas na Comissão de Acompanhamento (CA) ao funcionamento do aterro de "desrespeito", a Jornada Principal diz que estão a "ignorar o sofrimento diário e todas as queixas e manifestações públicas" da população.
Esta posição surge após a CA ter concluído na sexta-feira, após uma quarta reunião, estarem em cumprimento as três medidas determinadas a 18 de dezembro de 2019 e que permitem à Recivalongo manter-se em atividade.
Instalada em Sobrado desde 2007 para tratar resíduos de indústria, a Recivalongo começou a ser em 2019 acusada de "crime ambiental" pela população e autarquia de Valongo após ter sido detetado que a empresa detinha "mais de 420 licenças para tratar todo o tipo de resíduos". Desde então, as queixas de "cheiro nauseabundo" e de "poluição da ribeira de Vilar" têm sido recorrentes.